Criado há 8 anos o turismo ganhou um Ministério exclusivo para definir politicas e ações para estimular e desenvolver esse importante setor, gerador de empregos e de riquezas para o país. Observando alguns números e indicadores podemos concluir que pouca coisa mudou.
No plano do turismo receptivo internacional há anos que não saimos dos 5 milhões de turistas/ano, conforme mostra o Quadro 1 abaixo, aqui incluidos o turismo de negócios e de lazer. Em 2009, 45% vieram a lazer, 23% a negocios/congressos e 25% vieram visitar parentes e amigos (fonte: Mtur).
O Brasil, que dizem representar hoje a 7ª. economia mundial, participa apenas 0,55%
no turismo internacional. A maioria dos turistas vem da América do Sul representando 42% (argentinos na maioria), seguindo a Europa com 32% (pela ordem de importancia Alemanha, Espanha, França , Italia e Portugal). Da América do Norte vem 14%. . Estima-se que em 2010 recebemos pouco mais dos 5 milhões, número parecido ao estimado para a Argentina (www1.folha.uol.com.br/turismo -26/11/2010).
Chegada de Turistas
Internacionais – Receptivo (milhões)
|
America do Sul |
Variação % |
Brasil |
Variação % |
|
| 1999 |
15.1 |
5.1 |
||
| 2000 |
15.2 |
0.6 |
5.3 |
4.0 |
| 2001 |
14.6 |
(3.9) |
4.8 |
(10.2) |
| 2002 |
12.7 |
(13.0) |
3.8 |
(20.7) |
| 2003 |
13.7 |
7.9 |
4.1 |
7.9 |
| 2004 |
16.2 |
18.4 |
4.8 |
17.0 |
| 2005 |
18.3 |
12.8 |
5.4 |
12.5 |
| 2006 |
18.8 |
2.7 |
5.0 |
(7.5) |
| 2007 |
20.1 |
6.9 |
5.0 |
- |
| 2008 |
20.8 |
3.5 |
5.1 |
0.2 |
| 2009 |
20.5 |
(1.4) |
4.8 |
(6.2) |
Fonte: Mtur – www.turismo.gov.br
Tudo indica que os fatores motivacionais para o turismo de lazer no Brasil não são suficientemente fortes para sairmos do mesmo fluxo dos últimos 10 anos. Sob o ponto de vista de negócios o Brasil é uma das “bolas da vez”, sem dúvida. Mas a questão é saber como o Brasil é percebido como uma marca ou como um destino de lazer. Procurei sem sucesso alguma
pesquisa qualitativa que pudesse revelar alguma dado nesse sentido. Existem apenas estudos quantitativos sobre o perfil do turista internacional que aqui chega, constantes no Anuario Estatitisco do MTur. Os principais motivos de praxe são “praia, sol e natureza”, a exemplo de centenas de lindos destinos pelo mundo que oferecem esses mesmos recursos. Avaliar e redefinir o posicionamento do Brasil na mente do turistas potencias nos diversos mercados parece ser necessário para encontrar a estratégia mais eficaz e competitiva de vender o país para o turismo internacional.
E o turismo interno? Vai bem nas altas temporadas do verão, reveillon e carnaval, mas cái dramaticamente ao longo do ano, enfrentando forte sazonalidade. Uma matéria publicada no jornal a Folha de São Paulo no caderno Mercado, em 13 de fevereiro deste ano, evidencia essa situação. Com o título “Hotéis estão venda, diz Resorts Brasil”, o presidente dessa entidade Rubens Régis, que reune a maioria dos hoteis-resorts, destaca uma crise nesse segmento de lazer, informando os baixos índices de ocupação atuais e a inviabilidade de muitos empreendimento
continuarem operando. Muitos estão à venda: “quem chegar com dinheiro na mão leva”, afirma o presidente. De fato os hotéis de lazer que conseguem resultado positivo na baixa estação são aqueles que nessa época derivam suas ações para o segmento corporativo. Como sempre os problemas são o preço, os impostos e agora o cambio valorizado. Enquanto isso Orlando e o Caribe estão “bombando” com turistas brasileiros.
Programas do tipo Viaja mais – Melhor Idade, ainda que um esforço válido para gerar negócios e receitas para o setor ao longo do ano, parecem incipientes para dinamizar o turismo doméstico de lazer. De acordo com a Braztoa foram vendidos 210 mil pacotes no programa em 2010, em
sua grande maioria pacotes aéreos. Equivale a cerca de 400 mil pessoas viajando. Isso representa apenas 0,6%, por exemplo, do total de desembarques nacionais no mesmo ano que foi de 68, 2 milhões. Também o forte crescimento nas viagens aéreas verificado no últimos anos (em 2009 foram 56 milhões de desembarques domésticos), saturando os precários aeroportos, pesa muito mais a favor do crescimento das viagens corporativas devido ao vento favorável para a economia no país.
Está claro que sem infraestrutura não há turismo. O turismo interno de lazer em sua essência é rodoviário. Só se desenvolve onde existem muitos kilometros de rodovias seguras. Na América do Norte 80 % do turismo interno passam pelas estradas. Na Europa é mais de 60% (30% é por ferrovia). Por meio do turismo rodoviário cidades e vilarejos se desenvolvem, com a distribuição da riqueza que gera por todo o país e para todas as atividades da cadeia produtiva: hospedagem, alimentação, atrativos, comércio, etc.
Segundo dados da CNT – Confederação Nacional do Transporte, de 2008, o Brasil possue entre Municipais, Estaduais e Federal 1.751.872 km de rodovias pavimentadas e não pavimentadas.
Desse total 14,4% são de rodovias estaduais, 78,8% são de rodovias municipais e 6,7% são de estradas federais. Nesse total estão inclusos 141.000 km de vias inacabadas e em construção. As estradas não pavimentadas são a maioria, sendo 88,8% de estradas de chão, contra apenas 11,1% de rodovias pavimentadas, ou seja, somente 196.093 km de rodovias
asfaltadas.
Comparando, por exemplo, com os países que compõem o BRIC, que são Brasil, Rússia, Índia e China, todos com área territorial equivalentes, enquanto nosso país possue algo em torno de
200.000 km de estradas asfaltadas, a Rússia tem mais de 600.000 km e a Índia e a China possuem cada uma, algo em torno de 1,5 milhão de km asfaltados.
A limitada malha rodoviária e o já bastante divulgado estado sofrível de conservação e de segurança das que existem, não permitem o crescimento e o desenvolvimento do turismo interno no Brasil compativel com tudo que o país oferece de destinos e de belezas naturais.
Difícil tarefa do Ministério do Turismo diante de tantas limitações estruturais. No final dos anos 80 a criminalidade motivou a queda de 30% no turismo na cidade de Nova York. Pelo “andar da
carruagem” desse problema por aqui nosso turismo terá que enfrentar mais um vilão.
Ari Giorgi – profissional na industria hoteleira. Adminstrador de
empresas formado e pós-graduado na FGV SP, com curso de especialização em
administração hoteleira na Universidade de Cornell – USA. Atualmente dirige a
EasyRMS – Revenue Management Solutions – no Brasil e America do Sul.
Olá Ari,
Adorei seu artigo publicado no site hoteliernews e como mantenho um blog http://taiobaecompanhia.blogspot.com/ voltado para publicações do setor hoteleiro, gostaria de publicar seu artigo no meu blog. É possível ?
Obrigada e aguardo seu retorno.
Edna Miranda
Prezado Sr. Ari,
Recebo Frequentemente o boletim da HotelierNews em meu e-mail, confesso que raramente me interesso pelas metérias publicadas, em geral pouco falam ou analisam de forma mais profunda os problemas e as soluções para emplacarmos o turismo no país.
Infelizmente o setor ainda é muito pouco profissionalizado, as faculdades de turismo e hotelaria insistem em um modelo de ensino voltado para a formação de técnicos e não bacharéis de verdade com sólidos conhecimentos do negócio turístico e hoteleiro.
Neste contexto, os seus artigos, os quais tive a oportunidade de ler, são como um oásis no meio desta imensidão de estudos vagos e matérias desconexas que as principais publicações do setor insistem em divulgar. Parabéns!
Sou consultor financeiro e professor de finanças em turismo e hotelaria, acabei montando um site, o qual ainda está engatinhando, para falar sobre finanças, turismo e hotelaria de uma forma mais profissional. Coloquei um texto (um pouco extenso, é verdade) que desenvolve justamente os pontos levantados no seu artigo. Se tiver interesse, basta entrar em http://www.financasfacil.com e conferir.
Atenciosamente,
Francisco Burckas