Observo o hóspede brasileiro indeciso quando vai escolher um hotel. Fiz uma breve enquete informal junto a um ciclo de amigos executivos (total de 32) em vários níveis gerenciais perguntando com qual marca ou bandeira hoteleira eles mais se identificavam e qual ou quais
eram as preferidas. Apenas 3 souberam responder. Indica claramente uma evidência. Fato é que existe um amplo mercado de hóspedes que procura algo mais num hotel que não necessariamente o preço. Será que boa parte das bandeiras atuais não está conseguindo transmitir uma identidade de marca com força suficiente para se distinguir e se diferenciar no mercado e com isso criar uma identificação e preferência com determinado perfil de hóspede?
Todos sabem que integrar uma Rede proporciona enorme vantagem competitiva para um hotel. A força da marca e seu benefício transmitem ao hóspede confiança e segurança na escolha do hotel em qualquer segmento, gerando sua fidelização, objetivo final do marketing e de todo negócio.
Quando o hóspede se conecta racional ou emocionalmente a uma marca de Rede fica claro que a sua preferência será para os hotéis que carregam essa marca. Por um motivo bem simples: em cada hotel que se hospedar o hóspede vai encontrar o mesmo tipo de produto com as mesmas características essenciais, quanto às habitações, instalações, A&B, mix de serviços e o mesmo padrão de atendimento. O hóspede não gosta de surpresas na escolha de um hotel. Ele aprova o padrão da Rede e sabe exatamente o que vai encontrar. Esse, a nosso ver, é o objetivo e a essência de uma Rede hoteleira. É o fato de cada hotel ter o mesmo conceito e integridade de produto por meio do que se cria a identidade e a personalidade da marca.
Isso só acontece de uma maneira: quando desde o inicio de um projeto hoteleiro os investidores optam por uma bandeira de administração, executam o projeto de acordo com a estratégia de mercado e produto dessa marca e permanecem com ela durante muitos, muitos anos.
São poucos os empreendimentos aqui no Brasil que nasceram e que nascem seguindo esse processo. Os projetos que seguiram esse caminho são conhecidos e são exemplos de elevado RevPar. Vale relembrar que tempoatrás o setor de construção viu na incorporação de flats numa oportunidade de negócio imobiliário e, para alavancar as vendas das unidades traziam as
bandeiras fortes na ocasião para administrarem os empreendimentos. Com raras exceções onde as bandeiras orientaram o projeto, a maioria foi executada nos mais variadas concepções, dimensões e configurações. Hoje observamos esse fato também em muitas cidades brasileiras, onde os investidores primeiro constroem o hotel e depois saem em busca de uma bandeira para administrar.
Ao longo desses anos muitos empreendimentos têm passado por diversas mãos de administradoras. Um mesmo prédio foi da bandeira “B”, depois da bandeira “S” e agora é da bandeira “T”. Onde fica então a unidade e consistência de produto de cada uma dessas redes? Como é possível ao hóspede e ao cliente potencial perceberem e distinguirem uma marca da outra?
Hoje a maioria das bandeiras hoteleiras está nessa dança. Isso impede muitas marcas de fixarem sua identidade, criar consistência, padrão de qualidade e força no mercado. E a dança continua. Os investidores querem o retorno. Meta não atingida significa troca de marca. E as bandeiras se interessam e vem nisso uma forma de expansão, até uma ser trocada por outra. Limitam-se a sinalizar o hotel, colocar folheteria interna, oferecer a central de reservas e o site da Rede.
Será que isso não seria a resposta para a pergunta que fizemos no primeiro parágrafo? Vale uma análise mais profunda.
Parabéns pelo excelente artigo !
Para um operador de Rede(s) existe sempre, frente a tentação de crescer para ganhar volume e cobertura do mercado, o risco de perder consistência, e assim poder de penetração…
So pra registrar:
Accor tem um conjunto de marcas, alguns oferecendo hotéis padronizados Ibis & Formule 1, que seguem a 90/95% o mesmo padrão em todo o network, e outras não padronizadas (Sofitel, Pullman, Mercure), onde, fora o posicionamento dentro da escala de preços, sempre vamos ter trabalho para criar uma identidade forte… ou seja reconhecida pelos clientes. Estamos trabalhando nisso, monitorando a percepção dos clientes, separando-nos de hotéis que não atingem os requisitos da marca, renovando e atualizando … Novotel é um bom exemplo deste debate…. E uma Marca a vocação de marca padronizada e a historia fez que depois de construir os primeiros hotéis no final dos anos 70’s, no meio das crises econômicas, não conseguimos manter alguns deles atualizados (implantação das novas versões de quartos, etc.) e aceitamos hospedar na Rede hotéis fora do padrão. Há 10 anos decidimos “regenerar” a Marca, vendemos ou resilíamos os contratos de muitos hotéis desalinhados (Uberaba, Campinas, Limeira, Fortaleza, Natal, etc. Fizemos grandes renovações (São Paulo Morumbi, São Jose dos Campos, em breve Manaus e Porto Alegre) e colocamos critérios bem definidos para entrada de novos empreendimentos. Hoje depois deste trabalho e com as recentes aberturas de Rio de Janeiro, Buenos Aires, Lima, ,e as próximas esperadas em Porto Alegre aeroporto, Goiania, Manaus, Rio Barra, Salvador, acreditamos que vamos sim ter uma marca Novotel forte na America Latina…
Atenciosamente
Roland Bonadona
CEO Accor Latin America
Ari, bom dia!
Vou distribuir sua matéria por todos os executivos de redes com os quais trabalho – acho que tinham que fazer um curso com vocÊ.
Esses caras estão engatinhando em marketing, branding, gestão de marca, de imagem, enfim… precisam sim parar um pouco e esquecerem quem são, baterem um papo com amigos e perguntarem como estão sendo percebidos – vão descobrir coisas fantásticas.
Quando transitei no meio das artes plásticas, há muitos e muitos anos, tinha a impressão de que o mundo se encerrava ali. Que todos no mundo viam o que eu e meu grupo víamos. Depois, pou vários motivos fui transitar em outros trades e percebi o quanto eu não via nada. Os hoteleiros que conheço padecem do mesmo problema, inclusive as maiores redes, pelo que vejo como hóspede. Como hóspede percebo que se esquecem de mim! Há muitas coisas muito legais, mas o marketing dessas redes, se é bom em muitos casos, poderia ser ainda melhor se seus executivos olhassem com os olhos dos hóspedes, como vc o fez neste artigo. Iriam evitar imensas cagadas de gestão de marca, no mínimo…rs Desculpe o termo, mas é o mais exato!
Sinto que falta nos executivos das redes identificarem todos os seus públicos alvos, especialmente os investidores.
Ainda hj vejo executivos que confundem mkt com produzir folders, marca com logotipo… e por ai afora… espero que consigam compreender – e por em prática – um raciocínio claro como o que vc exercita neste artigo… quem dera!
Parabéns mais uma vez
Um grande abraço
Sergio Fecuri
Prezado Ari,
Se eu fosse escrever um artigo abordando este tema, teria escrito da mesma forma como foi escrito.
Parabéns por suas reflexões.
Geraldo Linzmeyer
http://www.holzhotel.com.br (Recantos e Requintes)
Admnistrador
Prezado Ari Giorgi,
Parabéns pelo texto !
Atenciosamente.
Abdon Barretto Filho
Diretor de Marketing
Rede Plaza de Hotéis, Resorts & Spas – Brasil